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O Mercado de Laticínios: Exportação Do Leite


No Brasil, a exportação do leite é um dos grandes destaques do setor agronegócio do país. Estando entre os 10 maiores produtores da commodity no mundo, a cadeia produtiva do leite é uma das principais atividades geradoras de empregos e renda dentro do cenário nacional. Ela apresenta, aproximadamente, 4 milhões de postos de trabalho, do campo à indústria, sendo uma prática presente na grande maioria das propriedades rurais existentes no país – como afirmou o zootecnista Luiz Josahkian, à Revista Globo Rural.

No primeiro semestre de 2020, mesmo com a pandemia do COVID-19, o setor do agronegócio bateu recorde de exportação com relação aos outros setores da economia. No setor leiteiro, a exportação de lácteos apresentou um aumento de 22,8% em valor e 21,9% em volume, entre os meses de janeiro a julho, com destaque ao leite em pó, leite modificado e creme de leite produzidos no país – tendo em conta que, devido à alta do dólar, o produto brasileiro se tornou mais competitivo no cenário internacional.

A respeito da competitividade, o Brasil ainda está encontrando seu espaço no mercado. Apesar do país ser um dos maiores produtores do mundo, fatores como o alto custo de produção e a qualidade inferior do produto tornavam o leite nacional e seus derivados pouco relevantes frente aos lácteos produzidos no exterior. Entretanto, devido ao aumento da demanda pelo produto no cenário internacional e as novas políticas de melhoria da qualidade do leite nacional, o Brasil começou a apresentar um forte potencial de produção que seria capaz de participar nas principais estandes desse mercado.

Por exemplo: “apesar de não ser uma tradição cultural, a população asiática está consumindo mais alimentos derivados do leite. E o Brasil pode atender essa demanda, já que a Nova Zelândia (principal exportador) tem uma capacidade limitada de fornecimento” – afirma a superintendente de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Lígia Dutra.

Dito isso, confira a seguir quais são as oportunidades que o comércio internacional tem a oferecer para o mercado brasileiro de laticínios.

1. A Abertura Do Mercado Chinês

No ano passado, o governo chinês finalmente habilitou a importação de laticínios brasileiros, após mais de 10 anos da não emissão da certificação de exportação do Brasil ao país asiático. Com, nesse primeiro momento, 24 estabelecimentos brasileiros autorizados a exportar, a abertura do mercado chinês trouxe uma nova perspectiva ao setor de laticínios nacional.

Sendo o leite em pó, a manteiga, o leite condensando e queijos, os produtos autorizados a entrar no território. A inserção do mercado nacional na China, além de aquecer o setor, ajudaria a impulsionar o nível de competitividade desses laticínios brasileiros no mercado internacional, já que o Brasil precisaria concorrer com a Nova Zelândia e a Austrália, que já estão inseridos no país e possuem uma preponderância no comércio internacional de lácteos, além de apresentarem uma certa vantagem geográfica com a China, quando comparada ao Brasil.

De acordo com a Viva Lácteos, a Associação Brasileira de Laticínios, a estimativa é que com a abertura do mercado, o Brasil possa exportar para a China em torno de 4,5 milhões de dólares americanos em produtos lácteos.

Além disso, vale destacar que: “A cadeia do leite é feita basicamente por pequenos e médios produtores, que serão os grandes beneficiados quando as exportações efetivamente começarem, o que agora vai depender de câmbio, negociações, regulamentações e outras questões”, explica Bruno Lucchi, superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

2. Exportação do Leite No Oriente Médio

Recentemente, a ministra da agricultura e da pesca, Tereza Cristina, trouxe como resposta à sua missão no Oriente Médio, a reaproximação comercial com o Egito e a negociação de novas regras de exportação para a Arábia Saudita.

Atualmente, a região árabe se caracteriza como o segundo maior destino das exportações de lácteos brasileiros, absorvendo em torno de 30% daquilo que é exportado.

Com a reaproximação com o mercado egípcio – cujas exportações estavam suspensas desde 2015 e, aguardavam desde 2016, a aprovação, por parte do governo do Egito, do Certificado Sanitário Internacional – é estimado um potencial de negócios de U$8 bilhões em 10 anos, para venda de produtos como leite em pó, queijos e manteigas.

Já para a Arábia Saudita, cuja absorção das exportações brasileiras passaram de 12%, em 2016, para quase 0% entre os anos de 2018 e 2019, a expectativa é que a reaproximação comercial, após a renovação dos protocolos de exportação, traga a oportunidade de agregar muito ao setor de laticínios, com ênfase nos queijos, no leite em pó e na manteiga. O país é considerado estratégico ao setor por também ser um importante destino das exportações nacionais de proteína animal.

3. Mais 50 Destinos Pelo Mundo

Além dessas novas oportunidades comerciais para o setor lácteo, o Brasil já tem outros 50 destinos consolidados para seus produtos.

Apesar de ainda ter uma certa dificuldade em alavancar todo o potencial de sua cadeia produtiva de leite, o país possui acordo comercial para exportação de laticínios para diversos países espalhados pelos 5 continentes, conforme apontam os dados do portal Comex Stat.

exportação de leite e seus laticínios

Como você pode ver, mesmo que o país ainda não detenha uma autonomia de produção em seu setor leiteiro, ele é muitas vezes referenciado no comércio internacional. Por exemplo: o Brasil é chamado de “o gigante leiteiro adormecido” em um artigo de 2014 sobre o tema, o Artigo foi publicado por uma universidade neozelandesa – A Massey University.

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Muito legal, não é mesmo?! Caso você, caro leitor, esteja pensando em atravessar fronteiras com o seu negócio de laticínios, saiba que a habilitação à exportação não é o único desafio que você irá enfrentar. Identificar quais são as melhores regiões de um país para estabelecer a marca, quais são as características do produto que os consumidores locais estão interessados, além de estar atento ao processo burocrático exigidos pelo Brasil e pelo país destino estão na lista de afazeres as quais você, exportador, deve estar atento.

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